Quem pode, pode
Quem não pode faz o que?
Se lamenta, se sacode
Depois trata de esquecer
Letra miúda
Lá no final do contrato
Diz que não me sai barato
Esse negócio de viver
Meu dia-a-dia
Eu perco é na burocracia
Bem que meu pai já dizia:
Vai estudar pra enriquecer
Faz uma via, duas vias
Formulário, itinerário
Bate ponto, cumpre horário
Não dá tempo de comer
Quer ter um filho
O salário não comporta
Quer sair batendo a porta
Mas não tem como gritar
Não pode doce,
Conservante, sal, corante
Aguardente, entorpecente
Proibido ir em frente
Proibido estacionar
Ninguém reclama
Porque a gente desanima
Já que até no céu, lá em cima
Deve ter que fazer fila
Carimbar, registrar firma
Para poder se queixar
5 comentários:
Uma realidade dura e amarga de uma forma agradável e doce de se ler. Parabéns mais uma vez.
Adicionada no meu blog, flor! Dá até vergonha, o seu é um show! Beijos e eu estou devendo uma visita à terra natal...
......................................................................sem palavras!! da vontade de musicar!
essa dava uma música, hein ;)
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