terça-feira, 3 de junho de 2008

Expediente

Quem pode, pode
Quem não pode faz o que?
Se lamenta, se sacode
Depois trata de esquecer

Letra miúda
Lá no final do contrato
Diz que não me sai barato
Esse negócio de viver

Meu dia-a-dia
Eu perco é na burocracia
Bem que meu pai já dizia:
Vai estudar pra enriquecer

Faz uma via, duas vias
Formulário, itinerário
Bate ponto, cumpre horário
Não dá tempo de comer

Quer ter um filho
O salário não comporta
Quer sair batendo a porta
Mas não tem como gritar

Não pode doce,
Conservante, sal, corante
Aguardente, entorpecente
Proibido ir em frente
Proibido estacionar

Ninguém reclama
Porque a gente desanima
Já que até no céu, lá em cima
Deve ter que fazer fila
Carimbar, registrar firma
Para poder se queixar

5 comentários:

Arlete disse...

Uma realidade dura e amarga de uma forma agradável e doce de se ler. Parabéns mais uma vez.

Lady Mayfair disse...

Adicionada no meu blog, flor! Dá até vergonha, o seu é um show! Beijos e eu estou devendo uma visita à terra natal...

talitatl disse...

......................................................................sem palavras!! da vontade de musicar!

Erd disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Erd disse...

essa dava uma música, hein ;)